domingo, 17 de abril de 2011

Revendo os meus preconceitos


Como bom engenheiro, acabo buscando a praticidade, e isto eventualmente me cega para nuances, ou mesmo cores fortes, de um quadro.

Não posso dizer que desprezava, mas não tinha parado para ler algo sobre tal pessoa.... O motivo???
Puro preconceito!
Me perguntava "para que servia a ABL???"
Seus ritos, seus fardões, e algumas das pessoas nela inseridas....
Continuo a ser crítico, em especial com alguns de seus componentes, mas faço aqui uma "Mea Culpa" quanto a um de seus personagens!

Reconheço até a dificuldade, advinda do desinteresse mantido durante boa parte de minha vida, de escrever seu nome.

Era um domingo, a que me propus sair de casa e ir conhecer uma associação próxima da casa de mamãe....
Acabei encontrando professores e livros... 
Ao pegar de maneira aleatória um deles, encontrei a tocante história da amizade de um Budista japonês com o imortal brasileiro.
Neste livro lí uma pequena biografia de Austregésilo, onde descobri um espírito libertário e um ser humano precioso que fez parte da redação da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Não imaginava que Austregésilo tivesse feito parte da comissão, liderada por John Peters Humphrey, que em 1948 elaborou e publicou a posteriormente chamada de "Carta Magna da Humanidade".
Reconheço que não via, naquela figura frágil, como que saída de um livro de contos infantis, um ser humano de tal envergadura!
Novamente a frase se faz verdadeira: "Ignorância leva ao preconceito" ... 
Tratarei de ficar "menos burro" sobre ele!
Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa!





sábado, 16 de abril de 2011

Da Desumanidade!

Desci em Congonhas, já com uma hora de atraso, entrei pacientemente na fila do taxi, e pedi um que aceitasse cartão.
Seria um dia cheio, nem tinha dúvidas disto, mas nada de extraordinário deveria acontecer... 
Entrei no taxi, pedi o destino e dei de cara com aquelas revistas velhas.
Uma delas me chama a atenção, na capa, em branco sobre azul leio: 

A Menina e a Segunda Guerra.

Comecei a ler, e reconheci mais uma história, parte de outra que já conhecia....


Esta se inicia no Cargueiro Itagiba, navio da Companhia Nacional de Navegação Costeira, em 17 de agosto de 1942.
O Itagiba foi um dos navios torpedeados por um submarino alemão U-507. 
Torpedear um navio de cabotagem, de um país tão longe da guerra, realmente leva a pensar em sadismo,  puro e simples.
No Itagiba estavam, pai e filha, ele Marítimo, ela com 4 anos.
Walderez havia nascido na data de aniversário de seu pai, que toma isto como presente divino e a leva a todos os lugares consigo.
Lá está ela na popa, brincando com uma vassoura quando o torpedo atinge o navio.
Não era o primeiro torpedeamento nas costas brasileiras...
Otávio, o pai, corre com ela pela cintura, escadas acima e coloca em uma baleeira, e quando esta é lançada ao mar, o navio aderna.
A baleeira é atingida pelo mastro, e se rompe, o pai é  laçado pelos fios das antenas e desacordado é tragado pelo mar.
Em uma dada profundidade, acorda e com uma faca se liberta dos fios das antenas, voltando à superfície, não encontrando mais a baleeira e a filha.
Walderez será a última sobrevivente a ser resgatada, ao fim da tarde. 
O reencontro se dá no Iate Aragipe, aos abraços no pai que já não tinha mais esperanças em revê-la com vida.
O milagre se dá pela ação de alguém que Walderez não se lembra, mas que por algum motivo havia a colocado dentro de uma caixa de madeira de "Leite Moça", com a ordem de "Segura, não solte!".

Outros náufragos serão salvos pelo Arará, Mercante do Lloyd Nacional, que será também torpedeado em poucas horas pelo mesmo U-507, transformando 18 náufragos do Itagiba, e novos náufragos do Arará.
Todos os sobreviventes são levados para a cidade de Valença, no litoral Bahiano.

Walderez sobreviverá a mais angústias, como a morte da mãe e irmão, logo após a chegada ao Rio de Janeiro, em um acidente de trem. 
Se formará em Psicologia e seguirá sua vida, nada falando dos acontecimentos, pois não conseguia.

Entremeada:

Em Valença encontrava-se, justo neste dia a passeio, um jovem de 17 anos, morador de Salvador.
Mustafá Rosemberg de Souza. Conta que na cidade havia apenas três médicos, e que no desespero de tantos feridos chamam pessoas para ajudar.
Mustafá entra na casa de um deles e ajuda na limpeza do chão, e de alguns ferimentos.
Hoje aos 85 anos, médico, ainda reside em Valença e relembra:
"O que eu ví foi o inferno de Dante. Muita gente estraçalhada, mortos, amputados, sem pernas"
"Ainda hoje, quando lembro disto, ainda dança na minha cabeça um bocado de confusão"
Hoje, quando reli o texto para colocar aqui, encontrei também os sites dos sobreviventes e de suas histórias:

Arará será o nome dado ao PBY (Catalina) que havia posto à pique o U-199 no litoral do Rio de Janeiro.

Da desumanidade daquele dia restam na lembrança de quem viveu as dores da perda de amigos, da visão da desgraça... 
Mesmo que isto tenha levado a carreiras, como a da sobrevivente que se torna psicóloga talvez para resolver suas angustias, ou do menino que se torna médico após limpar feridas... Nada pode justificar o sofrimento imposto às pessoas por ambições.


Nota: A revista encontrada no taxi, que gentilmente me foi dada de presente, é a Dez! de 27/03/2011, parte integrante do Jornal Diário de São Paulo.

sábado, 19 de março de 2011

E o Piloto Alçou Vôo

Já iniciei este texto várias vezes, e sempre paro com lágrimas nos olhos..
Ele foi uma pessoa importante na minha vida, foi um exemplo, e como já havia escrito antes, bússola da minha vida!!
Reconheço que já esperava a notícia há tempos..
Após um ano nos atribulando com e-mails, finalmente recebo-o com a notícia de sua passagem, vindo de D. Marlene.

Deve estar voando agora seu C-47, entre celestiais nuvens.
Recebi, pouco depois, seu livro que guardo com carinho na minha estante.
Fica a minha espiritual continência ao Cel Av. Ormuzd, e meu desejo de que seja ele, o piloto do "avião" que venha resgatar minha alma, quando chegada a devida e inevitável hora!
Para lembrar, faço a cópia d texto, escrito quando o re-encontrei, na década passada!


Textos Fragmentados

Piloto da minha alma

10/2/2006 22:29:08
Desci do meu andar, ajeitei o paletó, a porta automática se abriu e me arrependi por manter "sulista manias" de vestí-lo para sair... sol infernal.. nem Dante em sua descrição do inferno conseguiria descrever o sol de dezembro de um Rio de Janeiro... entrei na Van para o shopping.. É.... Barra da Tijuca tem uma vida indoor... com ar condicionado.. Graças ao Bom Deus...
Quase na hora de descer, o Sandino, meu irmão em espírito, me telefona...
"Cara, você não imagina com quem eu falei agora, tenta aí!!! Tenta!!??"
Declinei meia duzia de nomes... jamais esperaria saber que o Piloto... com P maiúsculo... tinha sido encontrado.
Lágrimas e certo descontrole no andar... tropeço na saida da van... tropeço no dia... voz embargada me despeço com vergonha de um homem de 40 anos chorando... entro no shopping sem saber exatamente para onde irei... perdí o rumo...
daqui a pouco é Natal... irei descer para meu Sul querido.. vou a Nossa Senhora do Desterro e Joinville.. visitarei minha filha e passarei a noite de natal com minha Valentina.. mas agora meu espírito me cobra uma visita a Curitiba... Sandino disse que ele nos receberia.. era só avisar!!!
Cheguei a telefonar para Sandino dizendo que não daria... Valentina diz que não, que tenho de ir!!! Havia contado suas histórias para ela, entre uma e outro gole de vinho!! Ela sabe bem o que significa no meu coração "O Piloto".. minha alma me manda também.. 13 horas de onibus até Curitiba, dia 22...
"Mano, me emprestaram o Peugeot 201 da minha sobrinha... vamos ver o Piloto!!!"
"201??? não conheço??!!!"
" Era 206... mas esmerilharam o lado... perdeu 5... "
"Palhaço!!! me encontra no escritório!!"
Tráfego de Curitiba... o povo não alivia este carioca emprestado.. dirigir no Rio me parece mais fácil...
Sandino a bordo.. destino Alto da Quinze!!!
A porta se abre e penso em pedir benção a meu mestre...
Me lembro da entrevista que fiz com ele para a revista do Colégio Militar... E de sua frase no último dia de aula de um novembro dos inícios dos oitenta...
"Meus filhos!! O que posso lhes transmitir é a minha vida... o que viví!!!"
Havia sido piloto da FAB!!!  Voara ""um monte"..
Havia descido na Amazonia com o DC3 diversas vezes.. e na beira da pista mais de uma vez encontrado uma família de nordestinos fugidos... Mãe, Pai diversos filhos... uma vez o do colo já morto...
"Tira a gente daquí "Seu Capitão"... eles vem e vão nos matar!!!" Pelo Amor de Deus, Seu Capitão!!"
Todos a bordo... esporro na mulher de um oficial que reclamou do cheiro dos passageiros recolhidos na pista..
Vôo!!
Meu mestre foi norte de minha búlsola... Estrela guia de minha vida!!
As histórias contadas.. se verdadeiras ou não.. foram manual de comportamento do meu dia  a dia..
Como o nono falava... "Se non è vero... è bene trovato!!!"
 
"Ame a seu país acima de tudo!!!" Frase proferida em fim de aulda de um sábado... na sala de instrução do CFR.. Aula de cálculo...
 
Estamos sentado na sala de seu apartamento... Histórias... vejo ele contando histórias do Colégio Militar de Porto Alegre.. do professor de matemática... vejo ele com a mão traçar no imaginário quadro negro a deduzir a fórmula... e foi lá nos anos trinta aquele acontecimento...
Meu Mestre e Piloto mantém a lucidez destinada aos que amam a vida...
Mais histórias... a ponte em próxima da base aérea...
Foi testar um Beech...
Havia dado falha no dia Anterior... o mecânico havia resolvido e pedido para testar...
Levantou vôo e saiu.. Era moço!! como todos nós já fomos...
decidiu passar por baixo da ponte!!!
Aproa o avião e....
"Sobe Piloto!!! Sobe!!!"
Resolve obedecer ao "Espírito Santo de Orelha" e puxa o manche e passa acima da ponte...
Achou prudente.. pois esta ponte ele não conhecia...
Dias depois pega o jipe vai fazer uma inspeção... a ponte tinha um imenso e grosso cabo de aço saindo de seu piso até o fundo do rio...
Mas debaixo da Hercílio Luz ele já havia passado... Rezava a lenda...
O Piloto hoje transcendia ao homem... ele já é lenda!!!
Ele goza do direito dos Semi Deuses de flutuar sobre nosso inconsciente!!! De reger nossas decisões...
Mais de uma vez pensei se seria digo tal ação de um aluno do Cel. Aviador Ormuzd!
Na saída abraço e beijo meu mestre... como se ele ainda aguentasse meu peso...
Saio com meu coração renovado... verei minha filha após o ano novo...valeu cada minuto à sua frente... valeu saber que aquele que eu havia pensado morto a tanto, estivera alí... deduzindo fórmulas e contando histórias...
Só rezo para que minha filha tenha também seu Piloto.. seu norte de búlsola....
Eu tive!!! e me orgulho muito disto!!!
Para Meu Mestre!!! Com meu Agradecimento!!
Desterro em Rio...
Fevereiro de 2006..
 
Para "Um Aviador Vacariano!"
 
 



quinta-feira, 15 de julho de 2010

O fenômeno do Cala Boca Galvão

Sou do tempo da central analógica, da fita prá carregar CDRs, das modulações analógicas, do vinil, da fita K7 e dos regimes de exceção.

Idos tempos li um "paper" que falava da proporção de TVs contra Telefones e sua relação com os regimes totalitários (esquerda ou direita).
Em democracias haviam mais telefones que televisões, em ditaduras mais televisões que telefones...
Óbvio, pois televisão é simplex, você recebe e ponto final.... Em terra de analfabetos amedrontados pelo chicote do "coroné", o simplex cumpre a sua função de difundir a ideologia do ditador!
Já telefone, é full duplex... você reage, troca idéias e acaba chegando à conclusão que o governo....
Notem como isto ocorreu em nosso país, compare os 11 anos desde a privatização da viúva Telebrás e os 22 anos da Constituição de 88.
Nos últimos 11 anos saltamos de uma espera quase infinita por um telefone fixo, para mais de um telefone móvel por habitante.
Telefone era uma dádiva que só te era dada a troca de muitos favores ao "guarda" (fosse ele governo ou mero funcionário da estatal).
Lembro de um canalha, vereador em Joinville, vir reclamar comigo que não havíamos avisado da instalação do TP, "que ele conseguira" para o bairro... O (de novo) canalha queria inaugurá-lo..
Com todas as mazelas que ainda temos, essencialmente amarradas a custos/impostos, avançamos em "warp 9" desde que em 1998 bateu-se o martelo....
Enquanto a telefonia e transmissão de dados era alçada no século XXI, ainda no século XX, a televisão e o rádio retrocederam no tempo para o mais feudal dos coronelismos...
Nos idos dos anos Sarney, as concessões de TVs e rádios foram distribuídas de forma "estranha" a Políticos... As concessões já vinham de anos assim, no período Sarney só mudou o volume.
Resultado, temos hoje uma indústria de Telecom madura e ativa, paralela à uma tele-difusão criada nos tempos de exceção   (dos tempos de Getúlio aos do Sarney).
Em uma operadora de telecom, de onde vem o abençoado dinheirinho para minhas contas, estamos acostumados às exigências do mercado, conseqüentemente às exigências do povo.
É Procom, a primeira coisa citada pelo cliente... a segunda é ANATEL.. descontando os palavrões, obviamente.
Já as tele-difusões, ainda centradas num mundo simplex, não tem este sentimento.
Suas métricas são ainda ante-diluvianas.. Os "IBOPEs", com seus universos restritos, pegam apenas os picos, perdendo as nuances.
Com isto as minorias, eventualmente "minorias chinesas", ficam soterradas pela prepotência das métricas empregadas.
Há anos venho ouvindo que a televisão interativa tá chegando.. na realidade ela chegou à revelia das difusoras que a temem... A interatividade chegou via Twitter..

A copa de 2010 não foi a da Dunga, da Jabulani, da Vuvuzela ou da Larissa Riquelme... a copa de 2010 foi do Twitter.
Há anos ouço o "Cala Boca Galvão", há anos muitos falam... em 2010, via Twitter os jornalistas, agora misturados à plebe rude e sofredora, foram golpeados com o que se falava desde sempre.

Não tenho nada contra o Galvão, creio que simplesmente ele é fruto deste meio "sem feedback", meio que produziu outra figura, que anda meio esquecida,... O Jô Soares e seu irritante estrelismo, que atropela o entrevistado, a entrevista, a notícia.
Galvão é fruto do tempo do "Jabá", do "Jabaculê", do "me paga que você aparece".
Não acuso aqui o Galvão de fazer o Jabaculê.
Não tenho provas, portanto não acuso!
Digo apenas que ele é fruto desta cultura.
Quem viu o intervalo do jogo, que fomos obrigados a aguentar a apologia da familia do Kaká, deve ter tido esta impressão.
Dá aquela sensação de que os demais não pagaram o "Jabá"... Dá aquele dejà vu ... lembrei dele falando do Rubinho, uma decepção pública, mas uma das estrelas constantemente apregoadas nos domingos de F1.
Rubinho teve seu nome  martelado ad nausean, mas o locutor não recebeu o feedback do ridículo que estava vivendo...
Já com o Kaká, na copa 2010, o Twitter mandou o recado. Alguns jornalistas notaram a situação forçada, e se manifestaram nos pios.

Não sou anti-Globo, acho o jornalismo deles muito bom. Uma emissora que tem Geneton, Jorge Pontual, a maravilhosa Ilze Scamparini, Miriam Leitão e Sardenberg, para citar apenas alguns, não pode ser classificada de maneira rasa como vem sendo.
A Globo é só mais uma televisão, que terá de se adequar  outros tempos... estes agora com a possibilidade de ter o feedback do usuário.
Ou morrer...

O Jorge Pontual, em um pio, classificou como bulling o "cala boca Galvão".
Apesar de minha admiração pela forma de entrevistar, pela sua postura geral, eu discordo.
Não foi bulling, foi a reação, semelhante à dos povos que se libertam de uma ditadura.

Ainda em tempo:
Pontual, quem esteja por trás do Milenium e Noblat são os mais preparados para este mundo interativo.
Mais de uma vez vi Pontual se retratar de um comentário, vi o Milenium  e  Noblat publicar pios de críticas duras e eventualmente alopradas.

"Minoria Chinesa" é uma expressão cá dos papos com papai... imagina uma minoria chinesa de 250 milhões de pessoas?? É uma minoria bem grande, né???
Imagina uma minoria brasileira de twitteiros.... faça seu paralelo...


Olha onde o Cala Boca Galvão foi parar!!!!

http://www.ted.com/talks/ethan_zuckerman.html