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sábado, 1 de agosto de 2015

Tô querendo sair...

O vídeo abaixo me incomoda muito... A princípio mostra até uma "coisa legal"... É uma vaga de deficiente ocupada indevidamente, mas....

https://www.youtube.com/watch?v=5MDc0ZI7dLc


Este conceito aqui tem sido o cerne de minha meditação, pois eu tenho como hábito questionável o apego aos conceitos de poder...

São mais perguntas que certezas...
A minha preocupação reside em reagirmos da mesma forma (ou com a mesma mente) do agressor...
Creio que o conceito de violência esteja na motivação.

OK, a tinta sai com água, mas o ato de publicamente execrar uma pessoa por seus erros não nos coloca naquela turba de pessoas com forcados que invadem o "Castelo de Frankenstein" gritando? (Apenas uma metáfora literária )


http://pracuepb.blogspot.com.br/2014/05/seres-sem-rumo.html )

A violência se vale principalmente da separação, da segregação, da des-humanização (e estou usando aqui a palavra humano não só pra humanos, mas para todos vivos),
No outro dia vi um vídeo de um cara "Parrudo" tirando um fiat uno de uma faixa de ciclistas...

Depois ele deu uma entrevista dizendo:
"Nunca vi um cara tão folgado"
A sensação que me deu foi:
1) Nós os ciclistas...
2) Ele os motoristas..
3) Nós, os certos..
4) Eles os folgados...
só faltou o "Matem a todos"..


Desta forma Cortez Conquistou os astecas (Beleza, eles não era lá boa gente... sacrificavam pessoas...).
Hitler fez a Shoah..
Pol Pot destruiu o Camboja...
A Camarilha dos 4 (e Mao) fez a revolução Cultural na China..
Creio que uma multa estaria bem aplicada em ambos os casos... e "that's all"...

Reconheço aqui mais um dos componentes do linchamento:
A falta de ação do dito poder público. Que ao transmitir a sensação de incompetência e insegurança, abre a porta para isto.

Seguem aqui links de palestras, que mostram o quão a punição para um ato muitas vezes impensado se torna uma pena de "morte".

http://www.ted.com/talks/jon_ronson_what_happens_when_online_shaming_spirals_out_of_control


http://www.ted.com/talks/monica_lewinsky_the_price_of_shame

Óbvio que o "karma" não alivia  para um ato errado, seja ocupar o espaço indevido, ou esfaquear a pessoa que "você" acabou de assaltar.

Óbvio que as pessoas devem ser responsabilizadas por seus atos...
Mas será que não estamos indo para uma justiça do tipo tábua rasa???

Será que isto, mentalmente, não dá o "direito" ao dono do carro reagir à execração pública por considerá-la desproporcional ao seu erro?
Vai que ele pega o spray do cara e.....

Deste jeito, acabaremos todos cegos e banguelas...

"Desculpaê", mas tô fora... ou ao menos querendo sair...

Lembram do We Are Right (W.A.R.) da Família Dinossauro?

terça-feira, 1 de maio de 2012

Retratação!


Venho através desta me retratar....
Há cerca de três meses fui convidado para escrever no Blog da minha Amiga Sandra Portugal, oportunidade que sinceramente me envaideceu.... Longo será meu caminho no Dharma.. :-)
Creio que a Naná chegou a pedir para transcrevê-lo aqui, mas a escolha foi deixá-lo lá e citá-lo aqui, pois assim quem ler aqui, poderá se deliciar por lá com as entrevistas, posts e o bom astral da página!
Tá aí... vá lá... E corra pelo Blog todo também!


Não é exatamente uma retratação, mas o exercício "da metamorfose ambulante", a constatação da "Eterna Impermanência", em especial a das certezas e verdades.
Em minha exposição da importância da Empatia, escrevi:

É  a empatia que nos faz humanos melhores, na verdade, creio ser a empatia a capacidade que nos torna humanos.

A Empatia continua nos fazendo cada vez melhores, mas não nos difere dos animais, não nos torna humanos pois já é uma característica animal.
Nesta semana, vi a palestra no TED de Frans de Waal "Moral behavior in animals" que me chamou a atenção para a incoerência da frase. 


Na verdade, isto estava na cara, sempre vi, e vivi com os animais que dividiram em algum momento a sua existência com a minha.
Mas meu comportamento antropocêntrico (longo será meu caminho no Dharma :-) ) mascarou isto.
Terei de buscar algo mais que nos diferencie dos animais... Mas pelo momento anda difícil...
Não por conta da humanidade, mas pela total igualdade que reconheço neles.
No “No Nobre Caminho Óctuplo” Sakyamuni nos lembra do Amor a todos os seres senciêntes.
Se você já tá de .... cheio deste meu papo budista, fica com a frase do maior ícone do Ocidente Humanista e Laico.

"Haverá um dia em que um crime contra um animal; será um crime contra toda humanidade."
Leonardo Da Vinci

sábado, 14 de abril de 2012

Sutra das Oito Percepções dos Grandes Seres

Estou lendo o excelente livro "Budismo Puro e Simples" do Venerável Mestre Hsing Yün
Essencialmente é um comentário sobre a Sutra das Oito Percepções dos Grandes Seres.
Na verdade, é a explicação de uma forma simples de tudo que li sobre o caminho do explicado pelo Honrado entre os Homens.
Recomendo a compra do livrinho... sebos e estante virtual são boas opções.


Que a Paz nos acompanhe a cada momento...
Pois se onde não há Pão, não há Torá...
Onde não há Paz, não há vida e evolução!
Bom Sábado!!






Sutra das Oito Percepções dos Grandes Seres

A todos os discípulos do Buda:

Dia e noite, reflitam sobre estas
Oito Percepções dos Grandes Seres
e recitem-nas com freqüência.

Um

Percebam que este mundo é Impermanente, que as nações não estão a salvo nem em segurança, que os Quatro Elementos causam sofrimento e são Vazios, que não existe individualidade nos Cinco Agregados da Existência (Skandhas); que todas as coisas que surgem devem mudar e desaparecer, pois não são nada mais que falsa aparência sem qualquer essência duradoura; que a Mente é a fonte do mal e que a Forma resulta das ações maléficas. Contemplem isto tudo, e gradualmente se libertarão do ciclo de nascimento e morte.

Dois

Percebam que o desejo excessivo causa sofrimento. A fadiga e os problemas do ciclo de nascimento e morte advêm da ganância e do desejo. Nutram poucos desejos, sejam receptivos e serão felizes em seu corpo e mente.

Três

Percebam que a Mente é insaciável e que constantemente luta por mais, agravando, assim, suas próprias transgressões e erros. A mente do Bodhisattva, por sua vez, está constantemente satisfeita com o que tem, é imperturbável na pobreza e sustém o Dharma. Sabedoria é seu único interesse.

Quatro

Percebam que a indolência leva à ruína. Sejam diligentes, rompam as amarras da nociva obsessão. Derrotem os quatro demônios e escapem da prisão das trevas deste mundo.

Cinco

Percebam que a ignorância origina o ciclo de nascimento e morte. O Bodhisattva estuda com afinco, ouve com todo o cuidado e reflete com freqüência almejando desenvolver sua sabedoria e aperfeiçoar a oratória, preparando-se, dessa forma, para ensinar e transformar os outros, expondo-lhes o maior dos júbilos.

Seis

Percebam que se ressentir da pobreza e do sofrimento só os faz aumentar. Um Bhodisattva é generoso e equânime frente ao amigo e ao inimigo. Ele não se atém aos erros do passado e tampouco cria novos inimigos.

Sete

Percebam que os cincos desejos acarretam apenas infortúnios. Embora vivamos neste mundo, não nos maculamos pelos prazeres terrenos. Ao contrário, refletimos sempre sobre a vestimenta do monge, sua tigela e seus instrumentos de Dharma. Com a mente enfocada na vida monástica, atemo-nos ao caminho e purificamo-nos. Nossa integridade tudo abarca, nossa compaixão todos envolve.

Oito

Percebam que vida e morte são como chamas tremulantes e que o sofrimento é infindável. Façam os Votos do Mahayana para favorecer todas as criaturas. Jurem assumir o infinito sofrimento dos seres sencientes e levá-los, todos, à derradeira bem-aventurança.

Esses oito pontos são a percepção de todos os Budas e Bodhisattvas. Com determinação eles trilham o caminho e com compaixão aguçam sua sabedoria. Tripulam o navio do Corpo do Dharma e navegam para as margens do Nirvana. Então, retornam ao ciclo do nascimento e morte para ajudar os seres a chegarem àquela margem. Esses oito pontos podem nos guiar em tudo e mostrar a todos os seres sencientes como compreender os sofrimentos do nascimento e da morte; como nos livrar dos cinco desejos e dirigir nossa mente para o caminho sagrado. Recitando esses oito pontos, o discípulo do Buda erradicará seus infindáveis débitos cármicos, pensamento a pensamento, e chegará ao estado desperto, tornando-se rapidamente iluminado; assim, estará para sempre liberto do ciclo de nascimento e morte, permanecendo em júbilo eternamente.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Das histórias contadas na hora da cerveja

Dia dos Pais antecipado... vou descer para CWB amanhã.. e por conta das necessidades hospitalares da família, só retorno na terça...
Antecipamos o domingo, e fomos a uma cervejaria no Shopping... O ambiente é barulhento, mas a cerveja é boa...
Gostamos da Red Ale que eles servem... Cervejaria artesanal.. verdadeiramente artesanal... Nunca vem com o mesmo sabor, apesar de sempre ser saborosa...
Impermanente, como diria Sakyamuni...
Papai lembrou que na  Cruz Alta dos anos 39/40, os vizinhos de fundo do terrenos onde moravam,  era uma família de "Russos"...
Na verdade eram Judeus fugidos dos pogrons da Europa Central, que chegavam com passaporte Russo, ou sabe-se lá qual passaporte que confundiam com o russo..
Papai recorda que a esposa do casal passava para ele tomatinhos, pela cerca... e que eram saborosos..
Ele já não tinha mais a visão desde os dois anos..
A família era conhecida como "Os Mostardeiros".... Motivo??? Desconhecido...
Parece que se chamavam Schustack... ao menos era como ele ouvia, e hoje se lembra.
Haviam também os Knijnick, que tinham uma loja de roupas.. Sr Leon Knijinick.. Também Judeus "Russos"...
Ele lembra dos falares... e imita em um som de ídiche-gauchês a fala de  uma das senhoras, sobre o nome da filha: "Ela se chama Rachel, mas nós a chamamos de Rochella"...

Eu me lembrei que na Curitiba de 1969, esquina da Rua Estados Unidos com a Erasto Gaertner, havia  uma casa de madeira azul.. com uma imensa ( para mim era ) chaminé... No alto havia um leme, que virava ao sabor do vento... Algo comum naquela época, da Curitiba dos fogões à lenha, da polenta "brostolada", ou "brostolata"... das chaleiras de ferro...
A mais antiga imagem que me lembro é esta, vista da janela de um Renault dirigido por mamãe...
Para mim, nos meus 4 anos de idade, aquele leme se chamava "putamerda"... Motivo??? Desconhecido...
A esquina está lá... sempre passo por ela, no Bacacheri...a casa, ao lado do posto de gasolina, já foi engolida pelo tempo...
Era de uma senhora bem velhinha, chamada Angelina... Benzedeira... Que segundo Papai, muito me benzeu..
Baterei a foto, do ângulo que me lembro..

Quem lembra hoje da D. Angelina, a benzedeira??
Apenas lembranças.. fragmentos.. micro histórias... Que para ti pode nada significar... mas para nós...
Cerveja concluída com sucesso...

sábado, 2 de julho de 2011

Das histórias contadas em torno da mesa...

Almoço de Sábado, Polenta ao molho de bacalhau, vinho tinto...
Meu almoço para os 70 anos de mamãe...
Nada melhor que começar a falar de comida à mesa... que leva a outras e outras e outras histórias...
Creio que começou com a  discussão ancestral em torno de se guardar os restos da comida...
Discussão pertinente apenas entre os descendentes dos sofridos... Dos fugidos e refugiados....
Veio à mesa o fato do Vecchio Guido gostar de pão velho.... e a explicação, vinda de um papo dele e mamãe, creio que há mais de 30 anos...
Ele nasceu no Abruzzo, no início do século passado... 1908.. A infância é passada em uma Itália da Primeira Guerra, e apesar dela estar ao lado vencedor na época, na miséria que se seguiu e fermentou a outra de 1939...
A Mãe, minha bisavó Sofia Peruzzi D'Angelo, fazia o pão em um dia, mas só servia no outro... Explicação: Pão novo era consumido rápido... no dia... Já o pão duro, ou servido no dia seguinte, rendia e alimentava a "famiglia" por mais tempo...

Lembrei também de meu querido Sr Rosário, contando que o irmão não tolerava tomate, mas acabou catando cascas de tomates nas latas de lixo do campo de concentração... "Era difícil, Signore Guidinho", como ele me chamava!!

Ambos já seguem a sansara, à minha frente....

Gino Becchi: La Strada del Bosco: http://www.youtube.com/watch?v=XNikKfwndIQ Que "Il Vecchio" cantava na cadeira de balaço...

sábado, 25 de junho de 2011

Do controle do pensamento II

O Dhammapada é uma das sutra budistas, também conhecida entre nós como "O Caminho do Dharma".
Este é um texto extraído dele.
O Dhammapada faz parte dos cânones Teravada, ou "Ensino dos Sábios". Uma das linhas budistas.
Creio que resume tudo!


Somos o que pensamos.
Tudo o que somos surge com nossos pensamentos.
Com nossos pensamentos fazemos o mundo.
Se falares ou agires com a mente impura os problemas irão atrás de ti.
Assim como a roda que segue o boi que puxa a carroça.
Somos o que pensamos.
Tudo o que somos surge com nossos pensamentos.
Com nossos pensamentos fazemos o mundo.
Se falares ou agires com a mente pura a felicidade te seguirá,
como a tua sombra, inabalável.
Como pode uma mente perturbada compreender o caminho?
O teu pior inimigo não poderá fazer mal tanto quanto podem fazer os teus próprios pensamentos, sem controle.
Mas uma vez tendo aprendido isso, ninguém poderá te auxiliar tanto, nem mesmo o teu pai ou tua mãe.
Sakyamuni, no Dhammapada

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Do controle do pensamento


Um grande mestre contou certa vez uma história.

Um homem muito rico havia comprado um Cadilac do ano. O carro era espetacular, vermelho, com todos os itens disponíveis.... Até os inimagináveis.
Saiu para “tirar onda”, e de tão gostoso era de dirigir, acabou passando o tempo e se enfiando em uma pequena e poeirenta estradinha...
Após alguns quilômetros ouve um estouro. 
Pára,  vai ver o ocorrido e se depara com o pneu estraçalhado...
Lamenta não ter uma forma automática de trocá-lo, se resigna e vai ao porta-malas buscar os apetrechos para iniciar o trabalho de troca.
Abre o imenso porta-malas, encontra de tudo, menos o macaco....
Quase em desespero, olha ao redor e não vê um carro passando, e prevê que ficará ali um bom tempo.
Olha novamente em torno e se depara com uma placa que diz:
“ Aluga-se Macaco, 2 Km à frente”
A solução lhe aparece aos olhos, tranca o carro e sai, senão feliz, ao menos reconfortado rumo ao local que lhe alugará a solução de seus problemas.
Mas 2 quilômetros são 2000 metros, o que significa muito tempo para andar e pensar.
“Quanto me custará o aluguel?? Acho que uns R$10,00!”
E a cabeça trabalha:
“É... R$ 10,00 eu pago...”
“E se me cobrar R$20,00??? Bom, para um Cadilac de mais de R$200.000,00... tá bom...”
“Não!!! Não vai me cobrar só isto cá neste fim de mundo... me cobrará pelo menos R$ 50,00”

E a estrada segue, e os pensamentos continuam a florescer.
Chega finalmente a uma casinha, após uma curva, e bate à porta.
Atende um velhinho de bengala, mal e mal se equilibrando.
Ele salta e agarra o velhinho pelo pescoço e grita:
“Seu miserável!!!! Jamais pagarei R$ 1000,00!!”

O Sensei, Shonin, Mestre ou “whatever” que contava/conta esta história chama-se  José de Vasconcelos, é um comediante que fazia imenso sucesso na minha infância. Hoje com 85 anos, segue dono de um humor inteligente.
O outro Sensei, que sempre me lembrava desta história é meu Pai.... Também sábio, e “sabedor de muitas sapiências”... Sempre que eu começava a reclamar, me falava:

“Olha a história do macaco!!!”

Esta piada contém dentro dela a fonte do sofrimento, descoberta por Sakyamuni.
A geração de pensamentos negativos é constante, e será sempre um jorro incontrolável, a menos que você o controle.
Como citado no post anterior um dos passos fundamentais do Nobre Caminho Óctuplo é o Pensamento Reto (ou Correto), e a forma de se eliminá-lo é a meditação.
Pode ser  pela repetição de um mantra, em intenção do bem de outrem, ou na mentalização junto da respiração de pensamentos positivos.
Como escreveu o Giulio Cesare Giacobe, traduzindo de forma simples o que é simples:
" Ao se iniciar o pensamento negativo, o controlamos gerando bons pensamentos".
Com isto paramos de sofrer, temos uma idéia mais clara da realidade, nos atemos à realidade que é o agora, e evitamos pegar alguém pelo pescoço somente porque achamos que o macaco vai custar muito!
Você é o que são seus pensamentos!
Seu Universo é criado pelos seus pensamentos!
Sua vida é guiada pelos seus pensamentos!
Os pensamentos são seus, mas você não é o que são “seus pensamentos”!
O demônios só existem se você os criar!